Blog do El Carmo


16/02/2010


De Escravos, Puxa-Sacos e outros Bichos

 

O carnaval na Bahia serve para nos mostrar que o negro aqui continua escravo. Quando ele esquece suas raízes para introduzir no seu canto palavras em inglês, ele não enriquecendo seu canto, mas rendendo homenagem ao povo que mais discriminou, mais escravizou o negro, e que representa  hoje toda a força do neo-colonialismo. É triste ver negros baianos rebolando-se e gritando palavras macaqueadas de seus algozes, como “rebolation” e outros bichos. Já dizia Bourdieu, em seus estudos, (A Reprodução(1970), A Distinção(1979), Sobre a Televisão(1996), Contrafogos(1998)  que a classe dominante impõe com a educação sua forma de agir e de pensar à classe dominada, de forma que esta acaba sem nenhum poder de crítica, cabando por ser ilusório falar em democracia posto que “não há democracia efetiva sem um verdadeiro poder crítico”. É o que se vê no dia a dia da sociedade brasileira. Fala-se à maneira do dominador, usa-se, sem cerimônia até com esnobismo, a linguagem do carrasco  e o que deveria ser motivo para reprovação da massa espoliada passa a ser chic e refinado. Assim vemos um carnaval totalmente desfigurado onde se ouve axé “music”, “rebolation” e outros bichos. É o escravo pedindo para ser torturado.

Escrito por El Carmo às 16h21
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