O episódio do arrastão do qual foram vítimas os ministros do Supremo Tribunal Federal Ellen Gracie e Gilmar Mendes serviu para mostrar à sociedade brasileira o quanto estamos desprotegidos, mas serviu sobretudo para mostrar aos membros do poder judiciário que eles não são tão Deuses como se julgam ser. A insensibilidade destes seres sobrenaturais para o sofrimento dos que acorrem à casa da justiça é por todos sentida, mas nós simples mortais ficamos inertes, esperando que um deus desça do Olimpo, venha ao nosso encontro e solucione o problema posto nos autos e que dorme em berço esplêndido. Longe de mim fazer a apologia do crime, isto seria tão criminoso quanto deixar dormindo eternamente um processo enquanto a ferida arde em nossa carne. Mas, se é que não se tem como impedir o furto, o roubo, os assaltos, os arrastões, que estes pelos menos sejam feitos contra os donos do poder. Que eles sintam na pele o que a patuléia sofre. Talvez fosse uma maneira de fazê-los refletir sobre a real situação do país, eis que, encastelados em suas redomas não tem como tomar consciência da realidade. Seria então de se dizer: "Não me assaltem, senhores, (senhores sim) que nada tenho, só fulano, beltrano e sicrano têm condições de resolver seus problemas. Eu sou um pobre coitado como vocês. Isto não é fazer apologia do crime, é apenas dizer, que roubar um pé de chinelo é improdutivo e como vivemos num capitalista, a ação pouco rentável deve ser evitada. Isto porque estou convicto de que quem faz arrastão não o faz pelo simples prazer de roubar, mas também para dar uma lição nas classes dominantes, só que eles não sabem identificar a classe dominante. Agora, olhando-se por outro angulo: Que espécie de segurança tinham os ministros assaltados? Quem lhes paga a segurança? Não somos nós?
Escrito por às 12h20
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